Um chá muito maluco – Rio Center

Um chá muito maluco

Alice, no País das Maravilhas, em meio a tantas aventuras, faz uma pausa para o chá na companhia do Chapeleiro, uma lebre e um ratinho. Texto adaptado.

 

No jardim, à sombra de uma árvore frondosa, tudo preparado com bom gosto e requinte. Ali, era servido o chá. A mesa era enorme. Muito grande. Gigante, compridíssima. Mas os três que ali estavam se espremiam num cantinho, quase sem caber. Uma maluquice.

Estavam à mesa a Lebre de Março, o Chapeleiro e, entre os dois, deitado, um ratinho. Um ratinho muito bonitinho, pequenino, que dormia. Dormia profundamente e nem se incomodava em ser usado como uma almofada. Imagine!

— Veja só — disse Alice —, quanta maluquice, mas acho que o ratinho não se importa, ele está dormindo mesmo.

— Não tem lugar! Não tem lugar! — eles gritaram ao ver Alice chegar.

— Tem lugar sim, senhores, e muitos! — disse Alice, indignadíssima, e sentou numa poltrona enorme à cabeceira da mesa.

 

Um pouco de suco

— Tome aqui um pouco de suco! — disse a Lebre de Março.

Mas não havia suco nenhum, nem nada sobre a mesa, a não ser o chá.

— Eu não vejo nenhum suco, Lebre de Março — disse Alice.

— Mas não tem suco nenhum mesmo — retrucou a Lebre.

— Então não é educado de sua parte oferecer, ora! — respondeu Alice, já um pouco enraivecida.

— E não é educado sentar-se à mesa sem ser convidada, ora! — disse a Lebre, bem atrevida.

— Eu não sabia que a mesa era sua, mas, mesmo assim, há lugares vazios. Não vi problema nenhum em me juntar a vocês, ora — disse Alice.

— Você está precisando é cortar esse cabelo — veio o Chapeleiro e disse.

— Não é educado dizer isso às pessoas, senhor Chapeleiro — respondeu Alice sem acreditar que ele tivera tanta ousadia em comentar sobre o seu cabelo.

E o Chapeleiro propôs uma charada. Iria começar a diversão.

 

A charada

O Chapeleiro arregalou os olhos e lançou uma charada muito difícil: por que um corvo se parece com uma escrivaninha?

— Você acha que pode encontrar a resposta? — perguntou a Lebre.

— Sim! — respondeu Alice.

— Então — disse a Lebre — você pode dizer o que acha!

— E vou dizer — Alice respondeu. — Pelo menos, eu acho o que digo.

— Não é a mesma coisa o que você acha que diz e o que você diz que acha — disse o Chapeleiro.

— Senão você também poderia dizer — completou a Lebre — que “eu gosto daquilo que tenho” é a mesma coisa que “eu tenho aquilo de que gosto”.

— Da mesma forma que — interrompeu o Chapeleiro — “eu respiro enquanto durmo” não é a mesma coisa que “eu durmo enquanto respiro”.

Estava tudo muito confuso.

 

O relógio

— Que dia do mês é hoje? — perguntou o Chapeleiro a Alice. Ele havia tirado o relógio do bolso e olhava, chacoalhava, balançava o relógio, tudo com muita impaciência.

— É dia quatro! — respondeu Alice.

— Dois dias errado… — suspirou o Chapeleiro. E continuou, dirigindo-se para a Lebre, irritado:

— Eu falei para você que a manteiga não ia adiantar de nada! Era a melhor manteiga…

A Lebre, com muita calma, sussurrou e, para a surpresa de Alice, afundou o relógio na xícara de chá. Quanta maluquice!

Alice passou a observar o relógio cuidadosamente.

— Que relógio engraçado, ele diz o dia do mês e não diz a hora — disse, admirada.

— Por que deveria? Por acaso o seu relógio diz o ano que é? — resmungou o Chapeleiro.

— É claro que não! Mas é porque o ano permanece por muito tempo o mesmo, não é? — completou Alice.

— É exatamente o caso do meu! — explicou o Chapeleiro.

— Não estou entendendo mais nada… — disse Alice.

 

A resposta da charada

— Você já adivinhou a charada? — perguntou o Chapeleiro.

— Não consegui… desisto! Mas qual é a solução? — perguntou Alice.

— E eu é que sei!? — disse o Chapeleiro sorrindo.

— Nem muito menos eu — disse a Lebre de Março, indiferente.

Alice suspirou e disse:

— Você deveria fazer coisa melhor com seu tempo, em vez de gastá-lo com charadas que não têm resposta, ora!

— Se você conhecesse o tempo tão bem quanto eu — o Chapeleiro falou — não falaria em gastá-lo como se fosse uma coisa. Ele é uma pessoa!

— Uma pessoa? Como assim?

 

A partida

Alice não estava entendendo mais nada mesmo, mas, já que estava ali, aproveitou para tomar um pouco de chá e provar umas torradas. O ratinho continuava a dormir, e a Lebre e o Chapeleiro continuaram a conversar suas maluquices mais malucas. Nada tinha sentido, tudo era sem pé nem cabeça.

Alice foi saindo de mansinho e, curiosa que só ela, vez ou outra olhava para trás para ver o que eles andavam fazendo — e para ver se a chamavam para ficar mais um pouco. Mas eles não estavam nem aí para ela. Não eram lá muito educados, é verdade, e estavam interessados em conversar maluquices.

Na última vez que Alice olhou para trás eles estavam tentando colocar o pobre do ratinho dentro do bule de chá. Era muita maluquice naquele chá totalmente maluco.

Comece a digitar e aperte Enter para buscar

Carrinho