A delícia de ser um avohai, avô e pai – Rio Center

A delícia de ser um avohai, avô e pai

Xico Sá, escritor e jornalista, é autor de Big Jato (Companhia das Letras) e comentarista do programa Redação SporTV

 

Ter filho depois dos 50 nos impõe uma bela e dupla tarefa: ser um avohai, avô e pai, como na música do Zé Ramalho. Uma parte de mim cuida da menina, outra parte “estraga” de tanto mimo e dengo.
Irene, que não tem culpa de nada nessa história, apenas ri e usufrui disso tudo. Desconfio que ela percebeu ainda na maternidade as vantagens desse esquema dois em um. Sábia.

O moço do sorvete também sacou logo o seu alvo preferencial. “Compra, vovô, pra nenê não chorar”, ataca. O vendedor de pitomba, nos nossos passeios pelo Nordeste, usa a mesma estratégia infalível. Sabem que avô que é avô é uma generosidade só.

Óbvio que também tiro vantagens em público na hora em que aparecem os chatos fiscalizadores dos hábitos das crianças alheias. A famosa turma da patrulha saudável. Acompanhe a cena: Irene se lambuzando de balas e pirulitos, eis que aparece um adulto qualquer e condena a farra infantil. No que este avohai desnaturado aplica o velho álibi: “Ah, esse vovô só estraga essa criatura”.

Ser avô e pai é uma delícia. Vale cada centavo gasto com o massagista japonês para recolocar a coluna no eixo de novo — a essa altura do campeonato, nem sempre aguentamos o tranco das brincadeiras mais radicais.

Só vi vantagem. Olha só a manchete de uma revista Crescer que li outro dia na espera na fila do médico: “Filhos de pais mais velhos tendem a ser mais inteligentes”. Eba, que maravilha. Estudo sério com o carimbo da Population and Development Review.

Desce mais um sorvete de morango, garçom, com calda de chocolate e farofa, faz favor, precisamos comemorar essa pesquisa. Irene ri das bobagens do seu careca preferido — ela sabe que a parte do abestalhamento é uma atribuição genuinamente paterna. A parte vovô é bem mais prafrentex e criativa.

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